É com paciência que se vai mais longe.
Nos últimos anos, a Austrália tornou-se uma espécie de centro artístico de renome global de onde saem algumas das músicas mais vibrantes do momento. Apesar da distância a Portugal, podemos agradecer à internet por nos permitir chegar ao outro lado do mundo com relativa facilidade. Foi assim que descobrimos o projeto de Ry Cuming e Frank Wiedemann: Howling.
Os dois músicos – de mundos distintos, Cuming ligado ao folk e ao acústico e Wiedemann envolvido na cena eletrónica – encontraram a ligação perfeita em 2012, dando origem a um buzz que deu os seus frutos com “Howling”, uma faixa envolta numa batida simples com linhas de sintetizadores emotivas e uma voz quente. Em pouco tempo a música começou a sair que nem pãezinhos quentes (que é como quem diz: a ser muito partilhada nas redes sociais), dando uma enorme exposição aos dois rapazes.
Desde muito cedo que Ry Cuming, ou RY X, procurou inspiração em Jeff Buckley e Pearl Jam, começando a escrever em cadernos nos intervalos das sessões de surf. Daí resultaram faixas como “Berlin” e “Love Like This”, tornadas públicas em 2013, e o facto de ter começado a fazer as primeiras partes de concertos numa digressão dos Maroon 5 permitiu-lhe expandir a sua base de fãs.
Já Wiedemann, um alemão focado em eletrónica experimental, tinha lançado com outros produtores Masse Box, um álbum impregnado das típicas referências techno berlinense que influenciam atualmente inúmeros produtores. Com o seu alter ego Âme – que partilha com outro produtor e DJ –, Wiedemann é bastante conhecido junto dos amantes das sessões Boiler Room e afins.
Tanto RY X como Frank Wiedemann deram asas à imaginação, fundindo dois estilos que acabaram por se completar num formato distinto, pouco usual nos dias que correm. Sempre com “Howling” como tema central do caminho que quiseram levar, o duo expandiu a sua criatividade dando origem ao álbum Sacred Ground, editado pela Monkeytown Records e pela Counter Records.
Se gostam de eletrónica experimental sem grandes devaneios estruturais, vão encontrar em Howling os substitutos perfeitos dos The xx enquanto estes não lançam um novo trabalho. E isto não significa que RY X e Frank Wiedemann estejam numa segunda liga – simplesmente não existem muitos músicos capazes de fazer boa música deste género com tanta simplicidade num mundo cada vez mais complexo. Talvez esteja aí o melhor de Howling. O modo como constroem as suas músicas aproveitando a experiência que têm, aprimorando as suas técnicas e no fim deixando que cada faixa fale por si.