Uma hora de música pensada para quem tem pressa de lá chegar.
Eu gosto de correr, a sério que gosto. Não é bem assim… gosto da ideia de correr e daqueles breves momentos em que atingimos o ritmo certo, quando estamos mais ou menos em forma e portanto não a morrer de falta de ar e taquicardia. E, porque é tudo uma questão de ritmo, a música é parte essencial desta ideia.
Claro que para chegar àqueles minutos são precisos muitos de sofrimento. E quando finalmente se consegue correr qualquer coisa de jeito, passado um bocado, é tudo muito aborrecido. O segredo é a música: uma playlist mais motivacional, inspiradora e energética do que o Dale Carnegie, o Dalai Lama e o Dr. Phill todos juntos numa misturadora com um batido de proteínas.
A música melhora o desempenho (15%, segundo alguns estudos) e ajuda a tornar a corrida menos aborrecida. O efeito é defendido quer por psicólogos especializados em desporto, quer por atletas, e existem centenas de listas de canções na internet, de todos os estilos, e até aplicações especializadas. Mas vale a pena perder tempo e fazer uma playlist personalizada, cheia de música de que se gosta o suficiente para ouvir repetidamente.
O segredo é escolher canções com um ritmo adequado a cada momento da corrida e a cada corredor. Segundo Costas Karageorghis, psicólogo de desporto da Brunel University de Londres, o tempo é o mais importante e as melhores canções para correr têm entre as 120 e 140 batidas por minuto (BPM). Há quem diga que a música rock não tem a consistência e previsibilidade necessária (e muito menos o indie), mas o que sabem eles? Uma bateria óbvia é uma boa solução, mas um crescendo aqui e ali não faz mal a ninguém.
Para fazer a playlist perfeita é preciso encontrarmos o nosso ritmo para começar, perceber quando queremos acelerar e quando precisamos de motivação extra.
Para começar devagar, a canção do duo britânico tem uma qualidade que ajuda a embalar, sem pressão, dois minutos para esticar as pernas e limpar a cabeça, sem letra, cerca de 100 BPM.
Entramos no tempo recomendado com cerca de 127 BPM na canção dos Arcade Fire e subimos acima dos 150 com os Outkast (e isto exclui “Hey Ya!” da lista, claro, mas assim sempre se evita começar a dançar espontaneamente na rua).
Depois da animação dos Outkast voltamos para dentro da margem de segurança das BPM com duas músicas que podemos pôr no subgénero “canções de amor para correr”. Atenção a “Such Great Heights” – nunca a versão dos Iron & Wine – que é bastante mais rápida do que parece.
E nesta altura já estamos a correr há 20 minutos e precisamos de três das melhores canções rock deste século. As guitarras, as letras, tudo nos empurra para a frente nestas músicas.
Aos 35 minutos, se forem como eu, precisam de uma pausa maior e de algo que nos diga que vai correr tudo bem. “Float On” faz as duas coisas: as BPM rondam as 100 e Isaac Brock diz-nos para não nos preocuparmos porque vamos todos flutuar.
Depois da testosterona das últimas canções trazemos as gajas e a diversão de pista de dança para a corrida: “I Love It”, se conseguiram não enjoar completamente da canção, e esse hino sobre ver o ex-namorado ir para casa com outra que é “Dancing On My Own”.
Chegados ao ponto crítico (para mim são os 45 minutos), precisamos de algo que torne esta corrida na coisa mais importante do mundo, precisamos do “Survivor” para o nosso Rocky interior que já não vive nos anos 70 e também ganhou um Óscar. Eu sei que vocês sabem do que estou a falar: “You better lose yourself in the music, the moment / You own it, you better never let it go / You only get one shot, do not miss your chance to blow / This opportunity comes once in a lifetime, yo”.
Com o nível “badass” ainda ligado podemos dar-nos ao luxo de pôr baton e saltos e uma canção que tem variações significativas: “run fast for your mother” e pelo resto da família.
São o prato de massa e o chocolate de energia que faltavam para acabar esta hora de tortura.
Então… como se sentem depois de correr 400 metros?
Se nada disto resultar podem sempre fazer como o etíope Haile Gebrselassie, um dos maiores fundistas da história do atletismo, que pedia para tocarem… “Scatman”.
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