Uma lista que demorou três meses a preparar… e metade do tempo foi passado em sofrimento.
Acho que a primeira vez que ouvi falar dos The National foi em 2007. Não me lembro bem como é que o universo nos juntou mas recordo-me que ouvi “Fake Empire” e fiquei imediatamente agarrado aos primeiros acordes do piano. Depois entrou a voz melancólica de Matt Berninger e aí tive a certeza de que ia passar a ter uma relação íntima com a banda.
Passaram-se oito anos e continuamos muito próximos. Tenho todos os discos em formato físico (só me falta o EP Cherry Tree), fui praticamente a todos os concertos que deram em Portugal (acho que só falhei o de Paredes de Coura), vi o documentário Mistaken for Strangers, tenho duas camisolas oficiais da banda. Enfim, pode dizer-se que no que toca aos The National sou um fã incondicional, sem vergonhas e com orgulho.
Dito isto, este artigo deu-me um trabalho que não estava à espera. Ao longo dos anos fui acumulando as canções da banda na minha cabeça (e no meu iPhone), ao mesmo tempo que destacava aquelas que me traziam algo mais, aquele sentimento extra que não se explica facilmente. Aliás, sente-se e pronto. O problema aqui foi conseguir resumir um enorme catálogo em dez canções, e pior, colocá-las numa ordem ascendente de carinho pessoal.
Nestes meses que passaram, perdi a conta do número de vezes que fiz e refiz esta lista, tentando justificar na minha cabeça porque é que o estava a fazer. O aspeto positivo destas constantes mudanças é que me permitiram ouvir os álbuns por inteiro, os lados B, as músicas perdidas.
E agora, senhoras e senhores, sem mais demoras, aqui fica a lista das dez melhores músicas dos The National.
Uma música centrada no fim de uma relação e nas consequências de estar sozinho a lidar com a ruptura. É um tema habitual nas letras da banda. A voz lenta e triste de Matt é a força da música.
Verso para entoar: “I was a television version of a person with a broken heart”
Para muitas pessoas é complicado conviver com os outros e por vezes a solidão parece ser o único sentimento que transparece. A música relembra que não estamos sozinhos no mundo.
Verso para entoar: “You know I dreamed about you / For twenty-nine years before I saw you”
Um dos marcos de High Violet. Pela primeira vez, Matt Berninger explora por completo o que lhe vai na alma na consequência do nascimento da sua filha e mais uma vez, a ansiedade parece ser o sentimento omnipresente. A música cresce para um clímax apoteótico que brilha em palco.
Verso para entoar: “It takes an ocean not to break”
É para mim uma das músicas mais pessoais dos The National que não esconde nada. Intensamente verdadeira, diz-nos que o amor também é feito de arrependimentos e que devemos aceitar a tristeza como uma verdade.
Verso para entoar: “I live in a city sorrow built / It’s in my honey, it’s in my milk”
Não faço ideia a que é que a música se refere, confesso. É daqueles mistérios que prefiro não perceber porque é aí que está a sua magia. Parece-me que tem aspetos políticos pelo meio e alguma raiva no final.
Verso para entoar: “This isn’t working, you, my middlebrow fuck up”
Nos últimos concertos em Portugal, a banda tocava esta música em versão totalmente acústica, deixando o público ainda mais imerso nas suas letras, numa espécie de transe. É seguramente um dos momentos mais bonitos a que já assisti deles.
Verso para entoar: “All the very best of us / String ourselves up for love”
É o coração pulsante de High Violet. A bateria frenética de Bryan Devendorf marca o ritmo e puxa-nos para uma história de falta de amor pelo estado do Midwest norte-americano. É uma espécie de antítese: o descontentamento existente contrasta com o buzz que nos faz sentir vivos.
Verso para entoar: “I never thought about love when I thought about home”
A música que representa o que são os The National. O sucesso desmedido – de agora – que os deve fazer pensar “como é que chegámos aqui?”. É um quadro da juventude de Berninger, que jogou futebol americano como quarterback na escola e foi levantado por cheerleaders. Tudo em novembro. Para mim, é uma força da natureza que tornou a banda emblemática. Os devaneios do vocalista pelo meio do público durante os concertos são momentos épicos para qualquer fã.
Verso para entoar: “I won’t fuck us over, I’m Mr. November”
Como referi em cima, foi a primeira faixa que ouvi da banda. É a que tem as maiores referências políticas até ao momento. São facilmente identificáveis logo à primeira audição. Numa altura em que o nosso país passa por um turbilhão de acontecimentos políticos, é seguro dizer que “Fake Empire” é uma representação fiel do que está a acontecer. Aliás, em qualquer parte do mundo, a qualquer momento. Por isso, é intemporaral. E linda.
Verso para entoar: “No thinking for a little while / Let’s not try to figure out everything at once”
Tem 87 palavras. Todas essenciais, perfeitas, emocionais, inesquecíveis. Minimalista, a música esconde-se nos violinos e guitarras subtis enquanto Berninger quase sussurra todas as dúvidas que também já experienciámos quando tivemos uma qualquer relação prestes a terminar e a deixar o nosso coração em cacos. É uma fiel representação de uma dor que em momentos parece ser demasiado avassaladora para suportar, com todos os erros, mágoas, memórias presas por um fio. Talvez seja a música mais deprimente de todo o catálogo. Mas ao vivo… ganha uma força rockeira no seu crescendo que acaba por se tornar numa catarse emocional. É a que mais anseio ouvir quando vejo a banda ao vivo.
Verso para entoar: Tudo, de princípio ao fim e a caminho de casa no carro. Sempre.